segunda-feira, 5 de março de 2012

Também poderia ter acontecido em Vitória


Na sexta-feira passado, a ciclista Juliana Ingrid Dias, 33, morreu atropelada por um ônibus na avenida Paulista. Muita gente que encontrei e que não estão envolvido com o ciclismo urbano perguntou "o que ela estava fazendo na Avenida Paulista?" Eu fiquei muito chocado, parecia que estavam justificando a morte dela. De uma forma ele deveria estar na rua, não seria um direito dela? Na verdade os ciclistas paulista explicaram que a avenida Paulista não tem subida ao contrário das avenidas e ruas paralelas que têm várias subidas. Os ciclistas passam na parte horizontal é uma realidade dos ciclistas de São Paulo.

Notei justamente que no centro de Vitória temos o mesmo cenário para futuros atropelamentos fatais de ciclista. Tem uma avenida que se encontra entre mar e morro que os ciclistas portanto não podem evitar. Ali têm um grande fluxo de carro e veículos andando em alta velocidade. O último ciclista que morreu na Grande Vitória morreu no Centro de Vitória, aparentemente no fim da pequena ciclovia verde mostrada no mapa (em uma região fora do mapa). O mapa do centro mostra o caminho onde a maioria dos ciclistas atravessam o centro de Vitória. O caminho segue avenida Getúlio Vargas que se transforma na avenida Marechal Mascarenhas de Morães. O trecho em vermelho de aproximadamente 700 metros mostra um dos lugares mais perigoso para os ciclistas de Vitória onde não tem ciclovia,  fluxo e velocidade dos carros altos, ou seja alta perigosidade. Esse trecho poderia ter uma ciclovia por duas razões legais:
1) está previsto desde 2006 uma ciclovia nesse trecho no plano cicloviário de Vitória que consta do PDU de Vitória.
2) 99% desse trecho de ciclovia poderia ser instalado aplicando a oitava diretriz do PDU de Vitória, trocando estacionamento de carro por ciclovia.

PDU de Vitória de 2006:
"Art. 34. São diretrizes da Política de Mobilidade Urbana:
(...)
VII - apoio e incentivo às viagens não motorizadas;
VIII - priorização das calçadas e ciclovias em detrimento de estacionamentos nas vias públicas;

A primeira pergunta é a seguinte quantos ciclistas precisam morrer nesse trecho para que a ciclovia seja implementada?
A segunda pergunta é a seguinte: Para ser implementada um trecho ciclovia, precisa-se morrer ciclistas?

Bicicletada Nacional em várias cidade. Em Vitória praça dos Namorados, terça-feira 6 de março, 19H.

© OpenStreetMap contributors, CC-BY-SA (link para o mapa interativo)

domingo, 4 de março de 2012

Filmar para saber

Depois da sexta-feira trágica para ciclista. Eu estou cada vez mais convencido da necessidade de filmar todos os meu trajetos e da necessidade de denunciar ato perigoso mesmo quando não provocam acidentes.

Uma opção relativamente barata é usar os seguintes óculos com câmera embutida  que podem ser comprados no site deal extreme. O princípio é legal mas é impressionante como a gente não para de virar a cabeça. O vídeo fica cansativo de visualizar. Talvez seja mais interessante optar para uma action cam? Não sei?
usb-rechargeable-pinhole-spy-recorder-camera-sunglasses-black

Com um cartão de 16 giga como esse da dealextreme, dá para gravar bastante coisas. Precisa-se também de um leitor rápido de cartão micro SD.

Bicicletada Nacional



Morreram no mínimo cinco ciclistas na sexta-feira passada (02/03/2012). Se não se consegue mudar rapidamente o paradigma de uma sociedade hierarquizada no Brasil, esse genocídio vai continuar impune. O ciclista precisa ser valorizado de alguma forma para ser mais respeitado. Por enquanto o ciclista não é valorizado. Motorista atropelam ciclistas e matam eles como se mata um mosquito. A bicicletada nacional vai acontecer justamente para isso. Dar valor a vida, as vidas que infelizmente foram perdidas.



Em Vitória: Praça dos Namorados, 19H.



Evento no facebook: https://www.facebook.com/events/347944488583219/




links:

http://vitoria-sustentavel.blogspot.com/2012/03/tambem-poderia-ter-acontecido-em.html

http://pedalamanaus.org/cicloativismo/em-luto-pela-morte-de-ciclistas-no-brasil/
http://www.revistaforum.com.br/conteudo/detalhe_noticia.php?codNoticia=9744%2Fbicicletas%3A-o-luto-de-hoje-e-a-luta-de-sempre

sábado, 3 de março de 2012

Reflexão sobre a bicicletada


Acabei de ler o texto Bikes, jovens e um novo jeito de se fazer política do  Blog do Ricardo Young. Assim foi meu comentário:


(...) De uma certa forma a bicicleta é realmente central. Além das vantagens ou dos benefícios citados podemos extrapolar outros visto do lado gestor: (1) diminui os acidentes nas ruas, diminui os feridos que encham os hospitais, além disso pode melhorar a saúde pública se esse a bicicleta se torna um modo de transporte para mais pessoas, (2) diminui os gastos em [manutençaõ] de infraestruturas com mais ciclistas porque os ciclistas não desgastem a ciclovia (só é estragada se um outro tipo de veículo a invade), (3) A melhoria das condições de transporte em Bogotá também teria tido um efeito importante sobre a queda da mortalidade segundo o prefeito da época, será que poderia acontecer o mesmo no Brasil?
Se se consegue reduzir os problemas de trânsito e a taxa de homicídios no Brasil, o avanço seria muito grande. Vale a pena investir nisso. Segundo uma pesquisa feita em Copenhague, cada quilômetro percorrido de bicicleta, a cidade economiza uma fração de reais. No pior dos casos a cidades também pode economizar dinheiro.
Segue no link, uma visão do movimento e da falta de avanço político e cultural. Apesar de tudo, o ciclista urbano ainda é marginalizado...
http://vitoria-sustentavel.blogspot.com/2011/12/apartheid-contra-ciclistas.html

sexta-feira, 2 de março de 2012

Reflexão sobre "ciclistas na calçada"


Essa reflexão sobre os ciclistas na calçada surgiu de uma discussão no facebook a partir da seguinte colocação:
"Por favor, bicicletas, fora das calçadas!!!! Os pedestres não têm culpa da ausência de ciclovias...",
a qual respondi da seguinte maneira

Concordo com a colocação mas eu queria tentar expliquar esse fenômeno com um ponto de vista diferente.  Em princípio, os ciclistas não devem usar as calçadas e em muitos casos ciclistas fazem isso quando não há necessidade. Em Vitória, ainda não é possível andar 100% fora de algumas calçadas devido a falta de infraestrutura. Se você quer andar de bicicleta, conheço pelo menos um local onde é impossível evitar a calçada. Já tentei andar na rua, me impor em uma pista estreita é quase foi atropelado por ônibus, carros. Foi só um teste mesmo! Esse lugar fica perto do centro de Vitória na avenida Beira-Mar. A prefeitura reformou e eu entendo que do ponto de vista legal, ela deveria ter colocada uma ciclovia mas infelizmente não aconteceu. Os ciclistas têm algumas opções, desistir e voltar a andar de carro ou ônibus, tentar passar na avenida e ser atropelado e morto ou, subir na calçada...
Porém, na maioria dos casos existem alternativas relativamente seguras para os ciclistas mas que são ignoradas ou desconhecidas dos ciclistas. Eu pessoalmente comecei a andar de bicicleta em Vitória andando seguindo o fluxo de ciclistas. O costume é subir na calçada quando acaba a segurança do ciclista ou simplesmente no fim de uma ciclovia. Isso ocorre quando por exemplo a avenida tem pistas estreitas e a velocidade dos carros é significativamente superior 50 km/h. Pode parecer ser a única opção. É o "senso comum" do ciclista que está numa ciclovia que acabou do nada. Tem uma outra abordagem que é de repensar integralmente o seu trajeto de maneira mais sistemática, pesquisando, testando, explorando. Isso me levou em particular a modificar significativamente meus trajetos, sair antes do fim da ciclovia para entrar em rua menos movimentadas e/ou com pistas largas etc... Eu estou compartilhando algumas rotas que descobri mas que muitas vezes já eram utilizadas por vários ciclistas. Hoje mapiei no GPS uma nova rota que descobri explorando na semana passada, encontrei ciclistas já usando ela. Eu chamei ela de passagem segredo para o IFES. Daqui a pouco estará no meu blog (...). O que falta é compartilhar informação úteis desse tipo. Aproveito para colocar algumas rotas de Vitória que já publiquei nesse blog:

desvio da calçada do Alvarés Cabral: http://vitoria-sustentavel.blogspot.com/2011/06/rota-segura-na-grande-vitoria-desviando.html
Jardim Camburi: http://vitoria-sustentavel.blogspot.com/2011/12/rota-segura-para-travessia-do-jardim.html
Jardim Camburi 2  http://vitoria-sustentavel.blogspot.com/2012/01/rotas-de-ciclistas-no-jardim-camburi.html
no centro:http://vitoria-sustentavel.blogspot.com/2011/06/rota-segura-para-grande-vitoria_05.html


Existem várias outras rotas que conheço e não conheço. Você quer compartilhar alguma rota na Grande Vitória? Manda um recado, faça um comentário aqui! Vamos compartilhar informações!

quinta-feira, 1 de março de 2012

Diversos tipos de bicicletários entre inadequados e adequados

Um dos melhores artigos que achei sobre a discussão da qualidade de um bicicletário, se um bicicletário é bom, seguro... Apesar de algumas imprecisões, temos uma visão global muito interessante:

http://www.viaciclo.org.br/portal/informacoes/bicicletario-adequado

Resultado da marginalização dos ciclistas?

Foi divulgado no facebook a seguinte mostrando um ciclista grudado atrás de um ônibus, aparentemente na descida da terceira ponte sentido Vila Velha-Vitória:

Na grande Vitória


O ciclista estaria "pegando ponga" atrás do ônibus, uma atitude muito perigoso que poderia acabar em tragédia. Não sabemos a razão de um tal ato, desafio, aposta ou simples comportamento marginal?
De fato não existe ligação permitindo os ciclista ir de Vila Velha para Vitória com segurança. Houve falta de investimentos nesse sentido, falta de visão e aparentemente a não-aplicações da oitava diretriz do PDU de Vitória (VIII - priorização das calçadas e ciclovias em detrimento de estacionamentos nas vias públicas;). As autoridades não estão de fato oferecendo nenhuma soluções segura para os ciclitas se deslocarem entre Vila Velha e Vitória. Deixando ali os ciclista a mercê dos carros andando em alta velocidade e forçando eles a subir na calçada, os marginalizando de qualquer forma. É uma situação totalmente inadmissível. Estamos no século XXI mesmo?
Existe a possibilidade de passar pela Lindenberg e atravessar na cinco pontes mais quem faz esse trajeto sabe como é extremamente perigoso. De fato os ciclistas são em geral tão marginalizados quanto o ciclista que estamos vendo na foto acima. É um descaso da falta de políticas públicas efetivas na Grande Vitória dando apoio a mobilidade do ciclista urbano. Diante desse fato parece que a terceira ponte vai receber obra de extensão para ter duas pistas exclusivas para o BRT mas seria previsto nenhuma ciclovia. Parece que o descaso vai continuar e os ciclistas vão continuar marginalizados. Diante dessas considerações, a opressão submetida ao ciclistas parece se aparentar a um apartheid anti-ciclista. Mesmo assim a felicidade de andar de bicicleta na cidade é infinitamente maior do que de andar de carro mas merecemos esse tratamento desumano?




Olha a diferença:
Ciclista pegando carona em São Paulo...